
Prof. Drª. Raquel Castro de Souza
raquel.souza@ufop.edu.br
A trajetória acadêmica e artística da professora Raquel Castro de Souza é integralmente dedicada à investigação e à aplicação prática dos princípios do teatro russo, consolidando-a como uma referência na área. Sua atuação como docente no Departamento de Artes Cênicas (DEART) da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) é uma extensão direta dessa pesquisa, onde transporta para a sala de aula a complexidade e o rigor dos métodos de encenação e atuação das vanguardas russas.
Toda a sua formação avançada foi direcionada para desvendar as inovações de Vsévolod Meierhold. Tanto o mestrado quanto o doutorado em Artes da Cena (UFMG) se aprofundaram na análise do “jogo musical” e dos traços da biomecânica meierholdiana, culminando em uma pesquisa de doutorado-sanduíche em Paris, sob a orientação de Marie-Christine Autant-Mathieu, uma das maiores especialistas mundiais no teatro russo. Essa imersão acadêmica não é apenas teórica, mas serve como base para sua prática como diretora e fundadora do Coletivo Mulheres Encenadoras, onde explora abordagens cênicas informadas por essa tradição.
Dentro do projeto “Arquivo Memória Intercultural das Artes da Cena no Brasil” (AMIA), a contribuição da professora Raquel é fundamental. Ela oferece a perspectiva de uma especialista no teatro europeu de vanguarda, permitindo que o acervo crie diálogos críticos entre as práticas russas e as tradições cênicas de outras culturas. Seu trabalho no AMIA, portanto, não é um campo separado, mas a aplicação de seu conhecimento central para enriquecer o debate intercultural, analisando como as revoluções estéticas do teatro russo ressoam e se transformam em diferentes contextos.
A Pesquisa sobre Teatro Russo no Acervo

A contribuição da professora Raquel Castro para o Arquivo da Memória Intercultural das Artes da Cena (AMIA) é a materialização de sua profunda e dedicada trajetória acadêmica, focada nas vanguardas do teatro russo. Sua pesquisa de mestrado e doutorado, centrada na figura revolucionária de Vsévolod Meierhold, permitiu a construção de um núcleo documental robusto e raro, que serve como a espinha dorsal desta seção do acervo. Cada item aqui presente foi selecionado e contextualizado a partir de seu olhar de especialista, transformando uma coleção de documentos em um verdadeiro laboratório de pesquisa.

O acervo sob sua curadoria oferece um mergulho direto nas fontes que revolucionaram o teatro no século XX. Nele, o pesquisador encontrará obras fundamentais como “O Teatro em nome de Vs. Meierhold” de A.A. Gvozdev, que analisa os princípios da biomecânica, e as anotações de diretores como Alexander Tairov, que dialogavam com as inovações de Meierhold. Além de textos teóricos, o acervo disponibiliza materiais práticos, como as partituras do espetáculo “Antígona”, permitindo uma análise que vai da concepção filosófica à execução cênica.
A pesquisa da professora Raquel também se reflete na coleta de documentos que revelam o ecossistema teatral da época. Catálogos de exposições comemorativas, como a do centenário de nascimento de Meierhold, e biografias de artistas influentes, como a atriz Babanova, oferecem um panorama rico do contexto cultural e político da vanguarda soviética. Cartas, anotações pessoais e artigos de revistas da época, como “Teatro e Arte”, complementam a visão, trazendo à luz os debates, as dificuldades e a efervescência criativa que marcaram o período.
Ao disponibilizar esses materiais — muitos deles em russo e de difícil acesso no Brasil —, a professora Raquel Castro não apenas preserva a memória de um dos movimentos mais importantes da história do teatro, mas também fomenta novas pesquisas. O acervo se torna uma ferramenta indispensável para estudantes e pesquisadores das artes cênicas, permitindo uma investigação aprofundada sobre as técnicas de atuação, os processos de encenação e as teorias que continuam a influenciar o teatro contemporâneo em todo o mundo.