O que é o Butô?

Butô (舞踏, Butō) é uma forma radical de dança-teatro que emergiu no Japão pós-Segunda Guerra Mundial, um país que lidava com a devastação da bomba atômica e uma profunda crise de identidade cultural. Criado por Tatsumi Hijikata e Kazuo Ohno, o Butô, originalmente chamado de “Ankoku Butō” (暗黒舞踏, a dança das trevas), foi uma rebelião contra a estética ocidental e as formas tradicionais japonesas, como o Noh e o Kabuki. Ele busca sua expressão não na beleza formal, mas no “corpo em crise”: um corpo vulnerável, grotesco e visceral. Caracteriza-se por movimentos lentos e hiper-controlados, corpos pintados de branco, expressões faciais contorcidas e uma exploração de temas tabus como a morte, a sexualidade e o inconsciente.

Diferente de outras formas de dança que buscam a leveza e a ascensão, o Butô é terreno, pesado e muitas vezes focado em posições agachadas ou contorcidas. Não existe um “método” fixo; cada artista desenvolve sua própria linguagem a partir de uma profunda investigação interna. Os fundadores, Hijikata e Ohno, representam os dois pilares do Butô. Hijikata desenvolveu uma abordagem mais sistemática e coreografada, focada na transformação do corpo através de imagens viscerais e, por vezes, violentas. Kazuo Ohno, por outro lado, personificava a improvisação, a espontaneidade e uma espiritualidade que encontrava beleza na imperfeição e na fragilidade, continuando a dançar até depois dos 100 anos de idade. Juntos, eles criaram uma arte performática que chocou e fascinou o mundo, influenciando gerações de dançarinos e artistas que buscam a verdade no corpo que sofre, resiste e se transforma.

Kazuo Ohno, um homem idoso de rosto enrugado e pintado de branco, com uma expressão intensa e olhos fechados, vestindo um chapéu.
Kazuo Ohno, um dos fundadores do Butô

““As feridas do nosso corpo fecham e se curam, mas existem as feridas escondidas, aquelas do coração. Se você souber aceitá-las descobrirá a dor e o prazer que são impossíveis expressar com palavras. Você encontrará a realidade poética que só o corpo pode expressar.” – Kazuo Ohno

Galeria: O Corpo em Crise

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