Publicação: A tradição do ator entre oriente e ocidente

Esta matéria é sobre a publicação do artigo “A tradição do ator entre oriente e ocidente”, de autoria de Ricardo Gomes, divulgado pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). A pesquisa oferece uma análise aprofundada sobre os desafios e as pontes possíveis no estudo intercultural das artes cênicas.

O artigo parte de uma premissa fundamental, citando o antropólogo Anthony Seeger: como podemos analisar uma cultura usando nossos próprios parâmetros, sem impor nossos conceitos? Gomes utiliza essa questão como ponto de partida para explorar um território comum na prática cênica que une diferentes tradições, indo além do exotismo para repensar definições que pareciam inquestionáveis.

“Sem ignorar as diferenças, o estudo do trabalho do ator entre Oriente e Ocidente pode procurar um território comum de prática cênica que una diferentes tradições ao redor das mesmas questões, ainda que cada uma as tenha elaborado e resolvido de maneira profundamente diversa.”

Dois Pilares da Teoria Teatral

A análise de Gomes se aprofunda ao colocar em diálogo dois textos fundamentais e aparentemente distantes:

  1. A Poética de Aristóteles: O texto que inaugura a reflexão ocidental sobre o teatro, analisando a tragédia do ponto de vista do espectador e da obra poética.
  2. O Natyasastra: Atribuído ao mítico Bharata Muni, é o tratado mais completo sobre o natya (a arte do teatro que dança), servindo como um manual prático e uma referência ancestral para a cultura cênica indiana e asiática.

O autor destaca as naturezas distintas dos dois textos: enquanto a Poética valoriza a autonomia do texto em relação à cena, o Natyasastra é um guia escrito por e para praticantes, detalhando minuciosamente a arte do ator.

A Cultura do Ator: Acumulação e Performance

Um dos pontos centrais do artigo é a reflexão sobre a “cultura do ator” como um processo de acumulação e transmissão. O ator oriental, com um vasto repertório de ações herdado por gerações, contrasta com o ator ocidental contemporâneo, que frequentemente se vê na posição de “reinventar” sua própria tradição a cada nova criação.

No entanto, Gomes adverte contra a idealização desses processos, afirmando que ambos os atores, em qualquer latitude, devem se confrontar com suas próprias tradições para encontrar respostas únicas.

“A cultura do ator é acima de tudo cultura de acumulação. O novo ator se forma imitando o velho, para depois se oferecer à imitação de seus sucessores, e em cada passagem, junto com as variantes da arte pessoal, se acumulam heranças nos corpos dos intérpretes.”

Acesse o Artigo Completo

Esta publicação é uma contribuição valiosa para todos os pesquisadores, estudantes e artistas interessados nas pontes entre as práticas cênicas do Oriente e do Ocidente.

Detalhes da Publicação:

  • Título: A tradição do ator entre oriente e ocidente
  • Autor: Ricardo Gomes
  • Fonte: Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo
  • DOI: https://doi.org/10.11606/issn.2238-3867.v5i0p39-46

Para ler o texto na íntegra, acesse o link direto através do DOI:

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